A Costela de Adão
(Adam's Rib, 1949)
"Vive la difference!"
Há três nomes que vão surgir nesta rubrica com alguma regularidade: James Stewart, Katharine Hepburn e Spencer Tracy. Os dois últimos, em particular, serão mencionados em conjunto mais algumas vezes, visto que fizeram uma parceria perfeita tanto dentro como fora do ecrã. E, em A Costela de Adão, a união das suas forças resultou numa obra divertidíssima e poderosa, que merece ser recordada como uma das maiores obras-primas da sétima arte.
Doris Attinger (Judy Holliday) é uma dona de casa e mãe de três filhos, que suspeita do marido, Warren (Tom Ewell). Um dia, resolve segui-lo e apanha-o com a amante. Em estado de choque, Doris dispara contra eles, acertando em Warren - não fatalmente, mas de forma suficientemente grave para o caso ir a tribunal e se tornar um forte alvo da opinião pública e dos media.
O caso vai parar às mãos de um casal - Adam Bonner (Spencer Tracy), advogado do Ministério Público, é o advogado de acusação, enquanto a sua esposa Amanda (Katharine Hepburn) defende Doris. Feminista ferrenha, Amanda considera este caso como uma forma de mostrar a desigualdade entre os sexos, enquanto Adam considera o comportamento de Doris como repreensível seja de que forma for. As suas diferentes opiniões e o facto de estarem em lados diferentes do caso leva a que o casamento de Adam e Amanda sofra um abalo, e ambos tenham de se confrontar para além dos tribunais. O resultado é uma guerra dos sexos maravilhosamente deliciosa, e uma visão interessante sobre a sociedade da época.
Já agora, se deseja (re)ver este grande filme mas não tem tempo e/ou dinheiro para ir à procura do DVD, pode encontrá-lo, na íntegra, no YouTube (pelo menos, até aos estúdios o removerem). Pode ver a primeira parte aqui e ir seguindo os links para as 11 partes restantes. Mas, claro, este tipo de visionamento não substitui o real deal.
Quanto a mim, vou procurar o meu DVD e rever isto pela milionésima vez, enquanto como rebuçados de alcaçuz (se viram o filme vão perceber) enquanto trauteio o Amanda...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Os filmes da minha vida (10)
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
Os filmes da minha vida (9)
Hoje, 2 de Fevereiro, celebra-se nos Estados Unidos e Canadá o Dia da Marmota. Por esse motivo, o Lírio dedica este post ao único filme (tanto quanto sei) que celebra este dia tão especial.
O Feitiço do Tempo
(Groundhog Day, 1993)
Durante muito tempo, este filme foi injustamente considerado como "mais uma comédiazeca de Bill Murray". Porém, com o passar dos anos, O Feitiço do Tempo começou a ganhar o reconhecimento merecido, sendo hoje visto como um filme de culto.
Phil Connors (Bill Murray), o apresentador do boletim meteorológico numa estação televisiva estatal, é um indivíduo extremamente egocêntrico e egoísta que gosta de rebaixar todos aqueles com quem lida. Para sua grande irritação está encarregado de ir, pelo quarto ano consecutivo, à cidadezinha de Punxsutawney, na Pensilvânia, para cobrir o Dia da Marmota; nesta festa, que atrai a Punxsutawney visitantes de todo o país, celebra-se o acordar de uma marmota (também ela chamada Phil) após uma longa hibernação. Diz a lenda que se a marmota vir a sua própria sombra, o Inverno prolongar-se-á até à data oficial em que chega a primavera; caso contrário, o tempo começará logo a melhorar e poderemos apreciar o prazer de uma primavera antecipada.
O dia 2 de Fevereiro é um autêntico pesadelo para Phil, repleto de pequenas irritações e culminando num nevão inesperado (para ele) que o retém involuntariamente naquela terra odiosa. No dia seguinte ele acorda... e descobre que é novamente 2 de Fevereiro! E o mesmo acontece no dia seguinte, e no seguinte...
Por algum motivo inexplicável, Phil está condenado a reviver o mesmo dia ad infinitum.
Ultrapassado o choque inicial, Phil começa a ver a sua situação como um pretexto para fazer tudo o que quer sem sofrer quaisquer consequências pelos seus actos. Porém, com o tempo, é atingido pelo desespero e pelo sofrimento, e começa a descobrir-se a si próprio...
Se tiverem o DVD à mão, aproveitem e (re)vejam este grande filme como forma de comemorar este dia.
Ah, e já agora: este ano a marmota viu a sombra...
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domingo, 6 de janeiro de 2008
Os filmes da minha vida (8)
Eu sei que é Dia de Reis e que, por isso, já não se deve falar em coisas de Natal, mas como eu tinha prometido que ia falar de mais filmes sobre a quadra assim o farei, apesar desta minha semi-ausência me ter atrasado os planos para esta rubrica...
O Amor Acontece
(Love Actually, 2003)
Whenever I get gloomy with the state of the world, I think about the arrivals gate at Heathrow airport. General opinion is starting to make out that we live in a world of hatred and greed but I don't see that. Seems to me that love is everywhere. Often it's not particularly dignified or newsworthy but it's always there. Fathers and sons, mothers and daughters, husbands and wives, boyfriends, girlfriends, old friends. When the planes hit the Twin Towers, as far as I know, none of the phone calls from the people on board were messages of hate and revenge, they were all messages of love. If you look for it, I've got a sneaky feeling you'll find that love actually is all around.
Apesar de bastante recente, este filme já ganhou o direito de figurar na lista de "filmes que deveriam passar na televisão portuguesa no Natal em vez de Música no Coração". Nesta obra, Richard Curtis reúne diversas histórias, aparentemente sem ligação entre si, ao estilo de Robert Altman. Porém, para além de algumas das personagens estarem interligadas por laços familiares ou de amizade, existe também um elo ainda mais forte a uni-las: todas elas tratam do amor, seja ele romântico, filial ou fraterno, ou mesmo o amor que serve para definir uma amizade de toda uma vida.
Entre as várias personagens que recheiam este delicioso filme, encontramos uma estrela de rock em fase decadente (Bill Nighy), um escritor (Colin Firth) que se apaixona por uma empregada portuguesa (Lúcia Moniz), um viúvo (Liam Neeson) que se tenta aproximar do seu enteado (Thomas Sangster), o recém-eleito Primeiro-Ministro inglês (Hugh Grant) e a sua irmã (Emma Thompson) e cunhado (Alan Rickman), dois duplos (Martin Freeman e Joanna Page) que se preparam para dobrar uma cena de sexo, dois jovens recém-casados (Keira Knightley e Chiwetel Ejiofor), dois colegas de trabalho nitidamente atraídos um pelo outro (Rodrigo Santoro e Laura Linney) e um pateta alegre (Kris Marshall) que deseja ir para os Estados Unidos porque acredita que o seu sotaque inglês fará com que todas as americanas lhe caiam aos pés.
Apesar de nem todas as histórias terem um final feliz, O Amor Acontece mostra em todas elas, mesmo nos momentos de dor e de tristeza, uma beleza e doçura que fazem com que este filme seja já considerado um clássico.
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terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Os filmes da minha vida (7)
Como se está a aproximar o Natal, resolvi dedicar os próximos posts desta rubrica a filmes relativos a esta época. E a melhor maneira de começar será com o melhor filme de Natal de todos os tempos.
Do Céu Caiu Uma Estrela
(It's a Wonderful Life, 1946)
Antes de falar do filme propriamente dito, gostaria de descrever um momento do episódio da série Friends intitulado "The One Where Old Yeller Dies". Phoebe descobre certo dia que muitos dos filmes que vira em criança tinham sido "censurados" pela mãe - ou seja, no momento em que iria acontecer alguma coisa triste, a mãe gritava "Fim!" e desligava a televisão. Ela decide então ver até ao fim todos os filmes com que crescera, e entra em depressão ao ver o cão Old Yeller ser abatido e a mãe do Bambi a ser morta. Monica empresta-lhe então Do Céu Caiu Uma Estrela, garantindo que este filme iria devolver-lhe a fé na humanidade. No dia seguinte Phoebe, nitidamente furiosa, devolve-lhe a cassete, e elas têm a seguinte conversa:
PHOEBE
Hey. Oh thanks for the great movie tip.
MONICA
Did you like it?
PHOEBE
Oh yeah. You know, I don't know if I was happier when, um, George Bailey destroyed the family business or um, Donna Reid cried, or when the mean pharmacist made his ear bleed.
MONICA
Alright, I'll give you the ear thing but don't you think the ending was pretty wonderful?
PHOEBE
I didn't watch the ending, I was too depressed. It just kept getting worse and worse, it should have been called, "It's a sucky life and just when you think it can't suck any more it does."
Bem, mas voltemos ao filme propriamente dito.
Como devem ter calculado do diálogo entre Phoebe e Monica, George Bailey tem uma vida desgraçada. Entre outras coisas, em criança ficou parcialmente surdo ao salvar a vida do irmão, vê-se obrigado a abandonar o seu sonho de entrar para a universidade para ajudar a família, e na véspera de Natal de 1946 são-lhe roubados os 8 mil dólares com que iria pagar um empréstimo. Este último acontecimento, aliado a outros incidentes desse dia, levam-no ao desespero, e ele decide suicidar-se.
Antes de o conseguir fazer, porém, um velhote com ar de lunático, Clarence Oldbody, salta para o rio antes dele, e George vê-se obrigado a salvá-lo antes de tratar da sua própria vida miserável. Clarence revela então que é o anjo da guarda de George, e pede-lhe para que o deixe ajudá-lo. Como é lógico, George reage a isto com incredulidade e desconfiança, e mantém os seus pensamentos negros, desejando nunca ter nascido. Clarence acede a este pedido, mostrando a George como teria sido Bedford Falls se ele nunca tivesse existido: um local de pesadelo, onde todos os seus amigos e família vivem na pobreza e onde os seus antagonistas prosperam.
Como reagirá George a isto? Será que conseguirá regressar ao seu mundo?
Sinceramente, não tenho nada contra o filme Música no Coração; simplesmente, não tem nada a ver com o Natal, eplo que não faz sentido passar na televisão todos os anos nesta epoca. Se há um filme que devia ser repetido até à exaustão durante a quadra festiva, esse filme devia ser Do Céu Caiu Uma Estrela. E, já agora, não sigam o exemplo da Phoebe e vejam até ao fim; é uma história que realmente nos faz sentir fé na humanidade.
Como bónus, aqui está a versão dos coelhinhos deste filme.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Os filmes da minha vida (6)
Um Assassino Pelas Costas
(Duel, 1971)
O primeiro filme de Steven Spielberg não tem extraterrestres, nem nazis, nem efeitos especiais de encher o olho. Tem apenas um carro e um camião, num duelo até à morte que, apesar do baixo orçamento da obra (originalmente um telefilme, mas que teve tanto sucesso na altura que depois passou para as salas de cinema, com mais 16 minutos adicionados à história) consegue mostrar tanta força e poder como tudo aquilo que se seguiu na filmografia deste realizador.
David Mann (Dennis Weaver, imortalizado como a personagem-título da série policial McCloud) é um caixeiro-viajante que viaja pelo deserto da Califórnia. A determinada altura, ultrapassa um camião que se recusava a deixá-lo passar... e a partir daí torna-se num alvo a abater. Para onde quer que David vá, o camião vai atrás, por vezes chegando mesmo a antecipar os seus movimentos. O seu objectivo é a vingança por não lhe ter sido permitida a ultrapassagem - algo completamente insignificante, e que mostra que o condutor do camião tem qualquer pancada e que, consequentemente, será capaz de tudo para destruir David.
Será que o camionista, cuja identidade nunca é revelada, conseguirá matar David? Será que David conseguirá escapar?
Esta é uma primeira obra poderosíssima, e de visionamento obrigatório para todos os fãs de Spielberg.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Os filmes da minha vida (5)
A Princesa Prometida
(The Princess Bride, 1987)
Este é, provavelmente, o filme mais belo de toda a longa filmografia de Rob Reiner, assim como um dos contos de fadas mais maravilhosos que alguma vez chegaram ao grande ecrã. Como diz Peter Falk no início do filme, é uma história que tem tudo: "esgrima, luta, tortura, vingança, gigantes, monstros, perseguições, fugas, amor verdadeiro, milagres..." Para além disso, tem uma qualidade e uma intemporalidade que faz dele um dos grandes clássicos de todos os tempos, onde quase todos os diálogos são dignos de serem memorizados e repetidos até à exaustão pelos fãs mais devotos. Ainda estou para descobrir alguém que veja o filme sem ficar com uma vontade irresistível de repetir vezes sem conta o já mítico cumprimento do espadachim espanhol: "Hello, my name is Inigo Montoya. You killed my father. Prepare to die."
A história começa no "mundo real". Um rapaz (Fred Savage) que se encontra doente, recebe a visita do avô (Peter Falk), que lhe traz uma surpresa: o livro A Princesa Prometida, de S. Morgenstern, que ele adorava ler quando era criança. O rapaz, viciado em televisão e jogos de computador (Spectrum, claro está - lembrem-se que isto foi feito em 1987), torce o nariz a esta ideia, mas aceita que o avô lhe leia a história.
Passamos então para o reino de Florin, onde vive a bela Buttercup (Robin Wright), que se apaixona por Westley (Cary Elwes), o empregado da quinta dos seus pais. Decidido a ganhar fortuna, Westley parte certo dia, prometendo regressar para se casar com ela - mas, infelizmente, o navio onde viajava foi atacado pela tripulação do Temível Pirata Roberts, conhecido por nunca deixar sobreviventes. Destroçada pela morte do seu amado, Buttercup jura nunca mais amar.
Anos mais tarde, a jovem fica noiva do príncipe herdeiro de Florin, Humperdink. O casamento será de conveniência e ela encara-o sem amor e sem sonhos. Um dia, Buttercup é raptada por um grupo de malfeitores e levada para o reino vizinho de Guilder. Durante a viagem, porém, os raptores descobrem que estão a ser seguidos por alguém que está tão interessado na futura princesa quanto eles: um misterioso homem de negro, que se identifica como sendo o Temível Pirata Roberts, o assassino de Westley. E, para complicar as coisas, o príncipe Humperdink e o seu braço-direito estão também a segui-los...
Esta é uma história apaixonante, que devia ser de visionamento obrigatório para todos aqueles que gostam de filmes de aventura. Entre os vários nomes que compõem o elenco de luxo desta pequena obra-prima, destaco Mandy Patinkin (o Gideon da série Mentes Criminosas) no papel de Inigo, e um irreconhecível Billy Crystal (a sério, só percebi que era ele quando vi os créditos finais) como o Milagreiro Max.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Os filmes da minha vida (4)
O Terceiro Tiro
(The Trouble With Harry, 1955)
Inspirada por um post recente do Cataclismo Cerebral, resolvi falar hoje de um dos filmes que ocupa o meu Top 5 de obras de Alfred Hitchcock. O Terceiro Tiro é um dos filmes mais mal-amados do mestre, pois o público da época não recebeu bem a ideia de que Hitchcock pudesse fazer uma comédia; ainda por cima, o tom negro (e inegavelmente hichcockiano) deste filme, que mostra claras influências da comédia britânica, era demasiado forte para os norte-americanos, o que levou os poucos que o viram aquando da sua estreia a rejeitá-lo. O facto de problemas de direitos de autor terem-no mantido longe do olhar dos espectadores durante os trinta anos que se seguiram também não ajudou as coisas. Hoje, quem o vê reconhece-o como uma obra injustamente esquecida, e que merece ser redescoberta pelo grande público.
Ora bem, qual é o problema de Harry? Oh, é uma coisinha de nada: ele está morto. E toda a gente se considera culpada do crime. Jennifer (Shirley MacLaine, no seu primeiro papel no cinema), a esposa que fugiu das suas garras anos antes, julga ter sido ela, quando lhe partiu uma garrafa na cabeça; a solteirona Ivy Gravely (Mildred Natwick) pensa que foi a sapatada que lhe deu na cabeça quando ele a tentou molestar que o matou; e o capitão Wiles (Edmund Gwenn) pensa que atingiu Harry acidentalmente quando estava a caçar coelhos. O pintor Sam Marlowe (John Forsythe) vê-se envolvido na história e tenta ajudar os vizinhos a esconderem o crime, mas as coisas não correm da melhor maneira. Entre confissões e revelações, o corpo acaba por ser enterrado e desenterrado várias vezes, e a verdade por detrás do problema de Harry parece cada vez mais difícil de ser revelada.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Os filmes da minha vida (3)
À Mesma Hora, Para o Ano que Vem
(Same Time, Next Year, 1978)
A primeira vez que vi este filme fi-lo apenas pelo simples facto de ter Alan Alda no papel principal. Sendo fanática pela série M*A*S*H, era capaz de ver qualquer porcaria em que este tipo entre - mas, felizmente, até hoje nada do que ele fez se revelou ser uma porcaria, e este filme em particular é uma pequena pérola que poucos conhecem.
Em 1951, George (Alan Alda) e Doris (Ellen Burstyn) conhecem-se num pequeno hotel e sentem-se imediatamente atraídos um pelo outro, acabando por passar a noite juntos. Na manhã seguinte, sentem-se inundados de culpa, visto que são ambos casados. Porém, acabam por se encontrar novamente no ano seguinte, no mesmo hotel. E no ano seguinte, e no outro... Quando o filme acaba, estamos em 1977, e George e Doris continuam a encontrar-se à mesma hora naquele mesmo quarto de hotel.
Adaptado de uma peça de teatro de Bernard Slade, este filme mantém um certo toque teatral que lhe dá um encanto especial. Vemos as personagens evoluírem, assim como a sua relação e o modo como esta influencia a vida que têm durante o resto do ano, com as suas respectivas famílias.
Em conclusão, uma história muito doce, que eu gostaria de ver um dia em cena num dos nossos teatros.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Os filmes da minha vida (2)
Viver de Novo
(Dead Again, 1991)
Eu adoro William Shakespeare e, consequentemente, adoro os filmes de Kenneth Branagh. Porém, o que mais me marcou na sua filmografia enquanto realizador não foi o lirismo de Muito Barulho Por Nada, a melodia de Love Labour's Lost ou a magnificência bélica de Henrique V, mas este thriller que mistura o sobrenatural com uma nítida homenagem a Alfred Hitchcock, e cuja única referência ao bardo se deve ao seu nome aparecer numa placa a meio do filme.
Mike Church (Branagh) é um detective privado de Los Angeles que é contactado pelo responsável pelo orfanato onde cresceu para devolver uma estranha mulher (Emma Thompson), encontrada dentro dos portões do orfanato, amnésica e incapaz de falar, à sua família. Um anúncio colocado por Church na sua busca atrai a atenção de um hipnoterapeuta, Franklin Madson (Derek Jakobi), que sugere usar as suas capacidades para tentar fazê-la recordar-se do que se passou. Durante a sessão, porém, a mulher retrocede demasiado no tempo e, em vez de se descobrir elementos da sua vida actual, são revelados acontecimentos que marcaram uma vida passada e que têm inundado as suas noites de terríveis pesadelos: o assassínio da pianista Margaret Strauss (também Thompson) pelas mãos do seu marido, Roman (novamente Branagh).
Como já afirmei, este filme é uma homenagem a Hitchcock, algo que se torna logo nítido com o genérico, em que o compositor Patrick Doyle nos brinda com uma partitura semelhante às de Bernard Hermann. Embora não atinja a perfeição do mestre (o que, sejamos sinceros, é impossível) é um filme interessante e que vale a pena rever para tentar descobrir pequenos elementos, como por exemplo actores que, tal como Branagh e Thompson, se dividem em personagens diferentes nas duas épocas.
Destaque para o já referido genérico, em que recortes de jornal nos revelam todos os elementos do caso Strauss, e para uma cena entre Branagh e Andy Garcia capaz de fazer qualquer fumador desistir de alguma vez voltar a pegar num cigarro.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Os filmes da minha vida (1)
Recentemente, perguntaram-me qual era o filme da minha vida, e eu não fui capaz de responder pois, cada vez que ia para dizer um título,surgia-me outro e eu não sabia o que responder. Esta confusão não é assim tão invulgar - como muita gente, eu não tenho um, mas vários filmes que me marcaram. E, em homenagem a esses filmes, resolvi iniciar uma nova rubrica aqui no Lírio.
O primeiro filme a ser apresentado nesta rubrica será Captains Courageous, realizado em 1937 por Victor Fleming, e baseado numa obra de Rudyard Kipling. Já passou na nossa televisão há tanto tempo que não me recordo do título português (o único canal que o passou nos últimos anos foi o TCM), e nunca encontrei nenhum DVD em edição portuguesa (felizmente há a Amazon, pelo que já o tenho guardado na minha arca de tesouros cinematográficos), por isso, se alguém souber que título foi cá dado pelos tradutores a esta obra-prima, por favor digam-me.
Captains Courageous narra as aventuras de Harvey Cheyne Jr. (interpretado por Freddie Bartholomew) um miúdo rico e mimado que faz a vida negra a todos os que o conhecem. Um dia, uma tempestade atira-o para fora do iate onde viajava, e é resgatado por um barco pesqueiro. Como Harvey não consegue convencer os pescadores a desviarem-se da sua rota para que ele possa voltar para casa, ele não tem outro remédio senão trabalhar para o seu sustento até poder regressar a terra. A vida dura de marinheiro vai, aos poucos, modificando a personalidade de Harvey, tornando-o menos mimado e arrogante, e a influência de um bondoso pescador português, Manuel, vai ajudar a modificar a sua visão da vida e do mundo.
A primeira vez que vi este filme, ainda miúda, chorei as pedras da calçada e ainda hoje, já adulta, o trágico final ainda me deixa os olhos húmidos. É uma belíssima história sobre a vida e sobre o crescimento. Para além disso, foi a minha descoberta do actor magnífico que é Spencer Tracy (até hoje um dos meus actores favoritos) que ganhou o seu primeiro Oscar graças ao seu fabuloso Manuel.
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